A Comissão Gestora do Açude Flor do Campo se reuniu nesta terça-feira (11) para acompanhar a operação 2025.2 do reservatório, avaliar o andamento das ações voltadas à segurança hídrica de Novo Oriente e elaborar o Plano de Trabalho da Comissão para 2026.

O técnico do Núcleo de Operação da COGERH/Crateús, Danilo Florindo, apresentou dados atualizados da operação do açude, destacando as vazões e usos aprovados pelo Comitê da Bacia Hidrográfica dos Sertões de Crateús: 45 L/s destinados ao abastecimento da sede municipal de Novo Oriente (CAGECE), 6 L/s para comunidades no entorno (SISAR) e 4 L/s para usos difusos, totalizando 55 L/s.

De acordo com simulação da COGERH, considerando essas vazões e as perdas por evaporação, o volume do açude Flor do Campo deve atingir 2,882 milhões de m³ (2,7% da capacidade total) até 31 de janeiro de 2026.

No entanto, o monitoramento indicou que em 10 de novembro de 2025 o volume era de 5,49 milhões de m³, cerca de 507.164 m³ acima do projetado para o período, o que confirma que a operação está dentro do esperado.

Diante do cenário, Florindo alertou que o açude permanece em situação “muito crítica”, com apenas 5,1% de sua capacidade total, conforme a classificação de criticidade da Companhia.

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Na sequência, o coordenador de Eletromecânica da Unidade de Negócio da Bacia do Sertão Central da CAGECE, Fernando Amorim, apresentou as ações em andamento para assegurar o abastecimento de Novo Oriente. Ele informou que os sete poços perfurados em 2015 já foram limpos e instalados, mas juntos somam vazão de apenas 23 L/s, insuficiente para suprir o município em caso de colapso do açude.

Já foi adquirido todo o material necessário para injetar na adutora que leva água até a Estação de Tratamento de Água – ETA. A Companhia aguarda a perfuração de oito novos poços previamente locados.

Amorim também demonstrou preocupação com a qualidade da água do manancial e levantou a possibilidade de a CAGECE precisar mudar a fonte de abastecimento da cidade antes mesmo do esvaziamento total do reservatório. Ele anunciou ainda o início de um estudo, que deverá ser realizado em parceria com a COGERH, sobre os impactos de um eventual racionamento de água em Novo Oriente.

Durante o encontro, a analista Nayara Carvalho, da COGERH, apresentou o Regimento Interno da Comissão Gestora, esclarecendo dúvidas sobre o funcionamento e as atribuições do colegiado. Ao final, os membros aprovaram o Plano de Trabalho para 2026, definindo reuniões ordinárias em março e no segundo semestre, após a alocação negociada de água.

A Comissão também analisou, à pedido da diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Sertões de Crateús, a solicitação feita pela Colônia de Pescadores Z-58 de Novo Oriente para realização de um Campeonato de Canoagem no açude, previsto para 16 de novembro.

O colegiado se manifestou favorável à autorização, entretanto, sugeriu que, caso o Comitê opte por acompanhar o posicionamento da CG, a autorização seja concedida desde que atendidas recomendações como:

  • Proibição do uso de motores nas canoas
  • Manutenção de distância da área de captação da CAGECE
  • Coleta e destinação adequada dos resíduos sólidos produzidos durante o evento
  • Evitar movimentação excessiva na lâmina d’água

A reunião contou com a presença de nove membros da Comissão Gestora, representando 90% do colegiado, além dos técnicos da COGERH/Crateús: Danilo Florindo (Técnico do Núcleo de Operação); Diheysom Barroso (Técnico do Núcleo de Operação); Hélder Lucena (Coordenador do Núcleo de Operação); Nayara Carvalho (Analista em Gestão de Recursos Hídricos do Núcleo de Gestão) e Emanuelly Menezes (Estagiária do Núcleo de Gestão).

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